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Conectivos para redação: lista completa e como usar

Conectivos organizam as ideias, indicam relações de sentido e tornam a redação mais fluida. Neste guia, você encontra uma lista completa por função, exemplos de uso, erros comuns e estratégias práticas para melhorar a coesão do seu texto.

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12 min de leitura

Os conectivos são palavras ou expressões que estabelecem relações entre frases, períodos e parágrafos. Eles ajudam o leitor a compreender como uma ideia se liga à outra: se há explicação, oposição, consequência, comparação, conclusão ou continuidade. Por isso, seu uso adequado é um dos elementos mais importantes para construir uma redação clara e organizada.

Caderno aberto com anotações sobre organização de ideias
Caderno aberto com anotações sobre organização de ideias

Em textos dissertativo-argumentativos, não basta apresentar informações relevantes. É preciso encadear os argumentos de forma lógica, evitando saltos de pensamento e repetições desnecessárias. Os conectivos cumprem justamente essa função: eles sinalizam o caminho do raciocínio e tornam visível a estrutura do texto.

Conhecer uma lista ampla é útil, mas decorar palavras isoladas não resolve o problema. O bom uso depende de entender o sentido de cada relação e escolher a expressão compatível com o que veio antes e com o que será dito depois. A seguir, veja como empregar esses recursos com mais precisão.

O que são conectivos e por que eles importam

Conectivos, também chamados de elementos de ligação ou operadores argumentativos, são recursos linguísticos que conectam partes do texto. Podem ser conjunções, advérbios, locuções adverbiais, preposições ou expressões maiores. Termos como “porém”, “portanto”, “além disso”, “porque” e “em primeiro lugar” são exemplos conhecidos.

Na prática, eles contribuem para a coesão textual, isto é, para a ligação formal entre os trechos. Também favorecem a coerência, pois deixam mais evidente a relação lógica entre as ideias. Um texto pode ter bons dados e argumentos, mas perder força se as frases forem apresentadas como blocos desconectados.

“A língua é um sistema de signos que exprime ideias.”

Ferdinand de Saussure, Curso de Linguística Geral

Embora a redação exija domínio de repertório, gramática e argumentação, os conectivos ajudam a organizar esses elementos. Eles não substituem uma tese consistente nem sustentam sozinhos um argumento. Sua função é orientar a leitura, deixando claro, por exemplo, quando o autor acrescenta um ponto, contrapõe uma informação ou tira uma conclusão.

Como identificar a relação de sentido antes de escolher

Antes de inserir qualquer conectivo, pergunte qual é a relação entre as duas ideias. A segunda frase amplia a anterior? Apresenta uma causa? Contradiz uma expectativa? Mostra o resultado de um fato? A resposta define qual grupo de expressões é mais apropriado.

Estudante revisando uma redação com marcações coloridas
Estudante revisando uma redação com marcações coloridas

Esse cuidado evita um erro frequente: usar palavras consideradas “sofisticadas” sem respeitar seu significado. “Contudo”, por exemplo, introduz oposição; não deve aparecer apenas para variar o texto. Já “portanto” indica conclusão ou consequência lógica e precisa ser precedido por uma ideia que permita esse desfecho.

Teste de leitura para verificar o conectivo

Uma estratégia simples é ler os dois períodos sem o conectivo e formular, com palavras próprias, a relação existente. Se o segundo período explica o primeiro, use um conector explicativo; se apresenta efeito, procure um conector conclusivo ou consecutivo. Depois, releia o trecho em voz baixa para conferir se a transição parece natural.

Também é importante observar a pontuação. Muitas expressões, como “entretanto”, “desse modo” e “além disso”, costumam ser separadas por vírgula quando aparecem no início da oração. Porém, a escolha da pontuação depende da construção sintática; ela não deve ser aplicada automaticamente.

Lista completa de conectivos por função

A lista abaixo reúne conectivos frequentes em redações escolares, vestibulares, provas discursivas e textos argumentativos. Eles foram agrupados por função predominante. Alguns podem assumir sentidos diferentes conforme o contexto, por isso a leitura atenta do período continua sendo indispensável.

Relação de sentidoConectivos e expressõesExemplo de aplicação
Adiçãoe, também, além disso, ademais, ainda, bem como, não só... mas tambémO acesso à leitura amplia o vocabulário. Além disso, fortalece a interpretação.
Oposiçãomas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, ainda que, emboraHá muitos canais de informação; contudo, nem todos são confiáveis.
Causaporque, pois, visto que, já que, uma vez que, dado que, em razão deA medida é necessária, visto que o problema afeta grande parte da população.
Consequênciaportanto, logo, assim, por isso, desse modo, dessa forma, consequentementeO debate foi ampliado; por isso, novas propostas foram apresentadas.
Explicaçãopois, porque, que, uma vez que, isto é, ou sejaÉ preciso verificar a fonte, pois uma informação imprecisa pode causar danos.
Exemplificaçãopor exemplo, como, a exemplo de, tal como, entre elesAlguns espaços públicos, como as bibliotecas, favorecem o acesso ao conhecimento.
Conclusãoem síntese, em suma, enfim, portanto, assim, dessa maneiraEm síntese, a participação coletiva é essencial para enfrentar o desafio.
Condiçãose, caso, desde que, contanto que, salvo se, a menos queOs resultados serão melhores se houver planejamento contínuo.
Finalidadepara que, a fim de que, com o objetivo de, com a finalidade deDevem ser criadas ações para que a população conheça seus direitos.
Tempoquando, enquanto, assim que, antes que, depois que, à medida queÀ medida que o acesso se expande, crescem também os desafios de inclusão.
Comparaçãocomo, assim como, tal qual, mais... que, menos... que, tanto... quantoAssim como a escola, a família participa da formação crítica dos jovens.
Concessãoembora, ainda que, mesmo que, apesar de, apesar de que, conquantoEmbora existam avanços, persistem obstáculos relevantes.

Não é necessário usar todas essas opções em uma única redação. A variedade deve servir à clareza, e não à exibição de vocabulário. Em geral, expressões simples e bem empregadas são mais eficientes do que conectivos raros inseridos sem necessidade.

Conectivos para começar e desenvolver parágrafos

O início de cada parágrafo precisa mostrar sua relação com a tese e com o desenvolvimento anterior. No primeiro parágrafo argumentativo, é comum apresentar o primeiro aspecto que sustenta o ponto de vista. No segundo, pode-se acrescentar, contrastar ou aprofundar outro fator.

Caneta e folhas usadas para planejar um texto argumentativo
Caneta e folhas usadas para planejar um texto argumentativo

Para abrir uma linha de argumentação, use expressões que indiquem organização, como “em primeiro lugar”, “sob essa perspectiva”, “nesse contexto” ou “a princípio”. Para avançar, “além disso”, “paralelamente”, “outro aspecto relevante” e “somado a isso” podem ser úteis, desde que a continuidade seja verdadeira.

Opções para organizar a progressão argumentativa

  • Para introduzir um argumento: em primeiro lugar, inicialmente, sob essa ótica, nesse cenário, diante desse contexto.
  • Para acrescentar informação: além disso, ademais, outrossim, de igual modo, somado a isso.
  • Para retomar um ponto: nesse sentido, sob essa perspectiva, a respeito disso, diante do exposto.
  • Para contrastar: em contrapartida, por outro lado, entretanto, ainda assim, apesar disso.
  • Para encaminhar a conclusão: portanto, desse modo, assim, em síntese, diante disso.

Um bom parágrafo não depende apenas do conectivo inicial. Depois da frase temática, desenvolva a ideia com explicações, exemplos, relações de causa e efeito ou análise de consequências. Se o conector anuncia acréscimo, o conteúdo seguinte precisa realmente adicionar algo novo ao argumento.

Para estudar os mecanismos de articulação textual, é útil consultar materiais de referência sobre redação do Enem, especialmente porque a construção de um texto coeso é um aspecto relevante em avaliações desse tipo. O treinamento deve envolver leitura, reescrita e revisão, não apenas memorização de listas.

Diferenças importantes entre causa, explicação e consequência

Essas três relações são próximas e, por isso, costumam gerar confusão. A causa aponta o motivo de um acontecimento: “O projeto foi adiado porque faltaram recursos.” A explicação esclarece ou justifica uma afirmação: “É preciso revisar o texto, pois erros podem comprometer a compreensão.” Já a consequência apresenta um efeito: “Faltaram recursos; por isso, o projeto foi adiado.”

O sentido pode ser observado pela ordem das informações. Na relação causal, o motivo acompanha ou antecede o fato. Na consecutiva, o fato inicial conduz a uma decorrência. Na explicativa, a segunda oração funciona como justificativa para a afirmação, pedido ou orientação feita anteriormente.

Exemplo comparativo

Compare: “A população não recebeu orientações adequadas, por isso houve dúvidas sobre o serviço.” Aqui, “por isso” introduz uma consequência. Em “Houve dúvidas sobre o serviço porque a população não recebeu orientações adequadas”, “porque” apresenta a causa. Já em “Leia as instruções com atenção, pois elas esclarecem as etapas”, o termo justifica uma recomendação.

Essa distinção melhora a precisão argumentativa. Quando o conector escolhido não corresponde ao vínculo lógico, o leitor pode entender o oposto do que o autor pretendia. Na revisão, observe se seria possível substituir a expressão por “como resultado”, “por causa de” ou “isto é”; essa troca ajuda a reconhecer o papel desempenhado pelo trecho.

Como usar conectivos na introdução e na conclusão

Na introdução, os conectivos devem servir para contextualizar e encaminhar a tese. Expressões como “atualmente” e “nesse contexto” podem ser empregadas, desde que não sejam usadas como fórmulas vazias. O mais importante é apresentar o tema, delimitar o problema e indicar a posição que será defendida.

Mesa de estudos com livro de gramática e bloco de notas
Mesa de estudos com livro de gramática e bloco de notas

Na conclusão, conectivos conclusivos ajudam a mostrar que o texto chega a um fechamento coerente. “Portanto”, “dessa forma”, “em vista disso” e “assim” são possibilidades recorrentes. No entanto, a conclusão não deve apenas repetir a introdução com outras palavras: ela precisa retomar a tese e finalizar o percurso argumentativo.

  1. Releia a tese e identifique os argumentos desenvolvidos no texto.
  2. Escolha um conector de conclusão que corresponda ao raciocínio apresentado.
  3. Retome o problema central de maneira sintética, sem copiar frases anteriores.
  4. Apresente encaminhamento, reflexão ou proposta, quando o gênero textual solicitar.
  5. Verifique se a última frase encerra o assunto sem introduzir um argumento novo.

Em uma redação que exige proposta de intervenção, as conexões entre agente, ação, meio, finalidade e detalhamento também precisam estar claras. Expressões de finalidade, como “a fim de que” e “para que”, são particularmente úteis nesse momento, mas devem ser acompanhadas de ações concretas e adequadamente explicadas.

A compreensão das conjunções e de seus valores semânticos é uma base importante para escrever melhor. A classificação das conjunções ajuda a visualizar relações como adição, adversidade, alternância, conclusão e explicação, embora a análise do contexto seja sempre mais importante do que decorar rótulos gramaticais.

Erros comuns no uso de conectivos

Um dos erros mais frequentes é repetir o mesmo conector no início de vários períodos ou parágrafos. Repetir “além disso” em excesso, por exemplo, torna o texto previsível e pode esconder relações mais específicas, como causa, comparação ou oposição. A solução não é trocar tudo por palavras rebuscadas, mas selecionar expressões compatíveis com cada passagem.

Outro problema é o uso de conectivos contraditórios. “Portanto” não combina com uma frase que apenas adiciona uma informação, assim como “porém” não deve introduzir uma ideia que confirma totalmente a anterior. A clareza argumentativa depende dessa fidelidade ao sentido.

Cuidados durante a revisão

  • Evite iniciar todas as frases com conectivos; algumas relações podem ser construídas pela própria organização do período.
  • Não use “onde” para se referir a situações abstratas; prefira “em que”, “na qual” ou “nesse contexto”, conforme o caso.
  • Confira se “mas” e “porém” não foram empregados juntos de forma redundante no mesmo período.
  • Evite “pois” depois de uma vírgula quando a intenção for indicar causa em uma estrutura que peça outra organização sintática.
  • Substitua conectores repetidos apenas quando a nova opção mantiver o sentido original.

Também é recomendável tomar cuidado com conectivos muito informais em textos formais. “Aí”, “daí” e “só que”, por exemplo, podem funcionar na fala cotidiana, mas geralmente não são a melhor escolha para uma dissertação. Em vez disso, prefira expressões que preservem a objetividade e a norma-padrão exigida pela situação de escrita.

Estratégias práticas para ampliar o repertório

Ampliar o repertório de conectivos não significa criar uma lista para decorar de uma vez. O aprendizado se torna mais eficiente quando as expressões são estudadas por função e aplicadas em frases próprias. Ler bons textos jornalísticos, ensaios e redações comentadas também permite observar como diferentes autores organizam o raciocínio.

Pessoa escrevendo texto à mão em ambiente de estudo
Pessoa escrevendo texto à mão em ambiente de estudo

Uma prática produtiva é selecionar um pequeno parágrafo autoral e reescrevê-lo três vezes: na primeira, acrescente conectivos de adição; na segunda, construa uma oposição; na terceira, transforme uma relação de causa em consequência. O exercício mostra que a escolha do elemento de ligação altera o caminho argumentativo.

Rotina de treino

Monte um caderno ou arquivo dividido por categorias: adição, oposição, causa, consequência, exemplificação, condição e conclusão. Ao encontrar um conectivo em uma leitura, registre uma frase real e identifique sua função. Depois, produza outro exemplo com tema diferente. Com o tempo, o uso deixa de ser mecânico.

Ao revisar uma redação, destaque cada conectivo utilizado e classifique sua função. Se houver muitos elementos da mesma categoria, verifique se o texto apresenta variedade lógica suficiente. Uma argumentação madura costuma combinar explicações, contrapontos, exemplos e desdobramentos, em vez de apenas somar afirmações.

Perguntas frequentes

Quantos conectivos devo usar em uma redação?

Não existe uma quantidade fixa. O necessário é que as relações entre as ideias fiquem claras. Use conectivos quando eles contribuírem para a progressão do texto, sem forçar sua presença em todas as frases. Qualidade e adequação são mais importantes do que volume.

“Portanto” pode ser usado em qualquer conclusão?

Não. “Portanto” indica uma conclusão decorrente do que foi apresentado anteriormente. Se o parágrafo apenas muda de assunto ou acrescenta uma informação, o termo será inadequado. Antes de usá-lo, confira se a frase final realmente resulta do raciocínio anterior.

Posso começar parágrafos com “além disso”?

Sim, desde que o novo parágrafo acrescente um argumento relacionado ao anterior. Evite, porém, repetir a mesma expressão muitas vezes. Quando houver contraste, causa ou exemplificação, escolha um conectivo que indique exatamente essa relação.

Conectivos garantem uma boa nota na redação?

Não sozinhos. Eles contribuem para a coesão e a clareza, mas uma boa redação também exige compreensão do tema, tese definida, argumentos consistentes, repertório pertinente, domínio da linguagem e revisão cuidadosa. Os conectivos funcionam como parte de uma estrutura maior.

Conclusão

Os conectivos são instrumentos essenciais para transformar ideias soltas em uma argumentação compreensível e bem organizada. Ao indicar relações de adição, oposição, causa, consequência, condição e conclusão, eles orientam o leitor e fortalecem a unidade do texto.

Mais do que memorizar uma lista, vale compreender o efeito de cada expressão e praticar seu uso em contextos variados. Ao planejar, escrever e revisar a redação, pergunte sempre qual relação lógica existe entre os trechos. Essa atenção torna a escrita mais precisa, fluida e convincente.

Referências

  • Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira — Materiais de orientação sobre a redação do Enem.
  • BECHARA, Evanildo — Moderna Gramática Portuguesa.
  • KOCH, Ingedore G. Villaça — A Coesão Textual.
  • ANTUNES, Irandé — Lutar com Palavras: Coesão e Coerência.
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Escrito por

Editor-chefe e redator

Editor-chefe do Higienista, escreve tutoriais e guias de tecnologia com foco em clareza, pesquisa cuidadosa e aplicação prática no dia a dia.

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