Concordância verbal: regras e exemplos para acertar
A concordância verbal é essencial para construir frases claras e corretas. Neste guia, você verá como localizar o sujeito, aplicar as regras mais importantes e lidar com casos que costumam gerar dúvidas, como sujeito composto, expressões partitivas, porcentagens e o verbo haver.
A concordância verbal é a relação de harmonia entre o verbo e o sujeito da oração. Em termos práticos, o verbo precisa assumir uma forma compatível com a pessoa e o número do sujeito: primeira, segunda ou terceira pessoa; singular ou plural. Essa relação organiza a frase e ajuda o leitor a compreender quem pratica, sofre ou vivencia a ação indicada.

Embora pareça uma regra simples, a concordância verbal reúne situações que exigem atenção. Há construções com sujeito posposto, expressões de quantidade, nomes coletivos, pronomes de tratamento e verbos impessoais, por exemplo. Em muitas delas, a escolha entre singular e plural depende não só de uma palavra isolada, mas do sentido completo da oração.
Dominar esse assunto não significa decorar uma lista sem contexto. O caminho mais seguro é aprender a localizar o sujeito, reconhecer o núcleo dele e entender os casos especiais mais recorrentes. Com análise e prática, fica mais fácil escrever mensagens, trabalhos, redações e documentos com precisão.
O que é concordância verbal e por que ela importa
Há concordância verbal quando o verbo se flexiona de acordo com o sujeito. Na frase “Os candidatos chegaram cedo”, o sujeito é “Os candidatos”; seu núcleo é “candidatos”, uma palavra no plural. Por isso, o verbo também aparece no plural: “chegaram”. Já em “O candidato chegou cedo”, o núcleo está no singular, e o verbo acompanha essa forma.
Esse princípio vale em textos formais e informais, mas ganha importância especial quando a escrita precisa transmitir clareza e credibilidade. Um erro de concordância pode gerar estranhamento ou ambiguidade. Compare: “A maioria dos alunos entregou o trabalho” e “A maioria dos alunos entregaram o trabalho”. As duas formas podem ser aceitas em certos contextos, mas a escolha revela um foco diferente, como será explicado adiante.
O primeiro passo: encontrar o sujeito
Antes de decidir como flexionar o verbo, pergunte: quem é que realiza, sofre ou recebe a informação expressa pelo verbo? Em “As informações foram atualizadas”, o sujeito é “As informações”, ainda que ele apareça antes de uma locução verbal. O núcleo “informações” determina o plural de “foram”.
Em orações com ordem inversa, o sujeito pode surgir depois do verbo: “Chegaram os documentos solicitados”. O verbo está no plural porque “os documentos solicitados” é o sujeito. Não se deve confundir o sujeito com termos próximos ao verbo, como objetos, adjuntos adverbiais ou complementos nominais.
Núcleo do sujeito: a palavra que define a concordância
O núcleo é o termo central do sujeito, geralmente um substantivo, pronome ou palavra substantivada. Em “As novas regras do regulamento entraram em vigor”, o sujeito inteiro é “As novas regras do regulamento”, mas o núcleo é “regras”. Logo, o verbo vai para o plural: “entraram”.
Uma estratégia útil é retirar mentalmente os termos que apenas caracterizam ou complementam o núcleo. Na frase “A lista de participantes foi revisada”, a expressão “de participantes” não é o núcleo; “lista” é a palavra principal. Assim, a forma adequada é “foi”, no singular.
Regra geral: sujeito simples e verbo
Quando a oração tem sujeito simples, isto é, apenas um núcleo, o verbo concorda com esse núcleo. Não importa se há outras palavras no plural perto dele. Em “O grupo de estudantes apresentou a proposta”, o verbo fica no singular porque o núcleo do sujeito é “grupo”.

Esse cuidado evita um erro comum: fazer o verbo concordar com o termo mais próximo. Em “A qualidade dos serviços melhorou”, “serviços” está no plural, mas é complemento de “qualidade”. Portanto, “melhorou” é a forma esperada. Da mesma maneira, em “Os efeitos da mudança apareceram”, o núcleo “efeitos” pede o plural.
Pronomes pessoais e de tratamento
Os pronomes pessoais determinam flexões específicas. “Eu preciso”, “nós precisamos”, “tu precisas”, “vós precisais”, “ele precisa” e “eles precisam” mostram a relação direta entre pessoa do discurso e verbo. No português brasileiro cotidiano, “você” costuma substituir “tu” em muitas regiões, mas exige verbo na terceira pessoa: “Você precisa”.
Os pronomes de tratamento também pedem verbo na terceira pessoa, mesmo quando se referem diretamente ao interlocutor. Diz-se “Vossa Senhoria receberá o documento” e “Vossa Excelência poderá se manifestar”. O uso da terceira pessoa é uma convenção gramatical ligada à forma de tratamento.
“A gramática é o conjunto de regras de uma língua.”
Michaelis, Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa
Na escrita, as regras de concordância funcionam como parte desse sistema compartilhado. Elas não impedem a variedade linguística nem substituem a intenção comunicativa, mas são especialmente relevantes em contextos escolares, profissionais, acadêmicos e administrativos.
Sujeito composto: quando há mais de um núcleo
O sujeito composto possui dois ou mais núcleos. Em regra, o verbo vai para o plural: “A coordenadora e os professores organizaram a reunião”; “Leitura e prática desenvolvem a escrita”. Ainda que cada núcleo esteja no singular, a soma dos elementos justifica o plural.

Quando o sujeito composto vem depois do verbo, duas possibilidades podem aparecer. Em “Chegaram a diretora e os alunos”, o plural é a forma preferível, pois o verbo concorda com os dois núcleos. Em certos usos, sobretudo quando o verbo antecede os núcleos, também ocorre o singular por atração do elemento mais próximo: “Chegou a diretora e os alunos”. Para uma redação mais segura e formal, o plural costuma evitar dúvidas.
Núcleos ligados por “ou”
A conjunção “ou” exige atenção ao sentido. Se expressar exclusão, isto é, apenas um dos elementos poderá realizar a ação, o verbo tende ao singular: “João ou Marina será responsável pelo atendimento”. A ideia é de alternativa: uma pessoa, e não as duas, ocupará a função.
Se “ou” tiver valor de inclusão, equivalendo a “um ou outro e possivelmente ambos”, o plural pode ser adequado: “Um erro de digitação ou uma falha no sistema podem causar divergências”. Nessa construção, as duas hipóteses são consideradas capazes de produzir o resultado.
Núcleos ligados por “nem”, “com” e “não só... mas também”
Com “nem”, normalmente se emprega o plural: “Nem o responsável nem os estudantes compareceram”. Com a expressão “não só... mas também”, o plural também é a escolha esperada: “Não só a equipe, mas também a direção participaram da decisão”.
Quando os núcleos são ligados por “com”, a concordância pode variar conforme a intenção. Em “A gerente, com seus auxiliares, revisou o relatório”, a expressão entre vírgulas funciona como um acréscimo, e o verbo concorda com “gerente”. Já em “A gerente com seus auxiliares revisaram o relatório”, os auxiliares são incluídos como participantes do ato, justificando o plural.
| Construção | Concordância mais comum | Exemplo |
|---|---|---|
| Sujeito simples | Com o núcleo do sujeito | A relação de documentos chegou. |
| Sujeito composto | Plural | O aviso e o formulário foram enviados. |
| Alternativa excludente com “ou” | Singular | O setor ou a chefia decidirá. |
| Alternativa inclusiva com “ou” | Plural possível e recomendável conforme o sentido | O atraso ou o erro podem afetar o resultado. |
| Expressão intercalada com “com” | Com o primeiro núcleo | A servidora, com os colegas, participou. |
Casos que mais geram dúvidas
Algumas estruturas admitem mais de uma concordância ou possuem regras próprias. Nesses casos, é essencial identificar se o falante deseja destacar o conjunto, a quantidade ou os indivíduos que o compõem. Conhecer as possibilidades ajuda a fazer uma escolha consciente, em vez de usar uma forma ao acaso.
Também é importante observar o grau de formalidade e a orientação de gramáticas, editais, instituições e bancas avaliadoras. Quando houver possibilidade de variação, prefira uma redação clara, sem construções que deixem dúvida sobre o referente do verbo.
Expressões partitivas e coletivas
Com expressões como “a maioria de”, “grande parte de”, “uma parcela de”, “metade de” e “um grupo de”, o verbo pode concordar com o núcleo da expressão ou com o termo especificador no plural. Assim, são possíveis “A maioria dos participantes aprovou a proposta” e “A maioria dos participantes aprovaram a proposta”. No primeiro caso, enfatiza-se a maioria como conjunto; no segundo, os participantes.
Apesar dessa possibilidade, a coerência deve ser mantida no restante do período. Se a frase começa tratando o coletivo como unidade, é prudente continuar no singular: “A maioria dos alunos entregou o formulário e confirmou sua inscrição”. Misturar os dois focos sem necessidade pode prejudicar a fluidez.
Porcentagens, frações e medidas
Com porcentagens seguidas de especificador, o verbo costuma concordar com esse termo: “Trinta por cento dos candidatos faltaram”; “Um por cento da turma faltou”. Se não houver especificador, a concordância geralmente acompanha o número: “Vinte por cento compareceram”; “Um por cento compareceu”.
Em medidas de distância, peso, tempo e valor, o singular é comum quando se entende a quantidade como um todo: “Dez quilômetros é uma distância considerável”; “Cinco anos é tempo suficiente para avaliação”. Se houver ênfase nas unidades ou em elementos distintos, o plural pode aparecer em contextos específicos, mas o singular é uma solução segura para a noção total.
Mais de um, um dos que e quais de vós
A expressão “mais de um” geralmente leva o verbo ao singular: “Mais de um aluno pediu revisão”. Porém, se houver ideia de reciprocidade ou repetição de ações entre os envolvidos, o plural pode ser necessário: “Mais de um candidato se cumprimentaram”.
Em “um dos que”, o verbo costuma ficar no plural: “Ela foi uma das pessoas que contribuíram para o projeto”, pois o pronome relativo “que” retoma “pessoas”. Em construções como “Quais de vós participarão?”, a concordância tradicional pode acompanhar “vós”; no português brasileiro, formas de terceira pessoa do plural são frequentes em usos correntes, conforme o pronome efetivamente adotado na frase.
Verbos impessoais: haver, fazer e fenômenos da natureza
Os verbos impessoais não possuem sujeito e, por isso, ficam na terceira pessoa do singular. Esse é um dos pontos mais cobrados em exercícios de gramática. O verbo haver, no sentido de existir, ocorrer ou acontecer, é impessoal: “Havia dúvidas no processo”; “Houve alterações no regulamento”; “Deve haver alternativas”.

Note que a presença de uma locução verbal não muda a regra. Em “Pode haver mudanças”, quem permanece no singular é o verbo auxiliar “pode”, porque “haver” continua impessoal. A forma “Podem haver mudanças” não é recomendada na norma-padrão quando “haver” tem sentido de existir.
O verbo fazer indicando tempo ou clima
“Fazer” também é impessoal quando indica tempo decorrido ou fenômeno climático: “Faz dois meses que o pedido foi enviado”; “Fazia dias frios”; “Faz muito calor nesta região”. Nesses usos, não se escreve “Fazem dois meses”, pois “dois meses” não é sujeito: é uma indicação de tempo.
Por outro lado, “fazer” pode ter sujeito em outros sentidos e, então, concordará normalmente: “Os técnicos fizeram as correções”; “As mudanças fazem diferença”. O contexto é o que permite distinguir o emprego impessoal do emprego pessoal.
Fenômenos da natureza e uso figurado
Verbos como “chover”, “nevar” e “trovejar” tendem a ser impessoais quando descrevem fenômenos naturais: “Choveu durante a madrugada”; “Trovejou bastante”. Contudo, podem se tornar pessoais em sentido figurado: “Choveram reclamações após o anúncio”. Nesse exemplo, “reclamações” é o sujeito e determina o plural.
Para aprofundar a consulta sobre usos, classificações e flexões verbais, vale recorrer ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras. Ferramentas de referência são úteis para conferir grafias e formas reconhecidas, mas não substituem a análise sintática da frase.
Como revisar a concordância verbal na prática
Revisar não é apenas reler rapidamente ao fim do texto. A concordância melhora quando se examina cada verbo e se relaciona sua forma ao sujeito correspondente. Em períodos longos, uma boa técnica é separar mentalmente as orações e analisar uma de cada vez.

Leia também em voz alta, mas não dependa somente da sonoridade. Algumas construções soam habituais na fala e, ainda assim, não seguem a norma-padrão exigida em determinados contextos. A verificação consciente reduz problemas especialmente com “haver”, “fazer”, porcentagens e sujeitos distantes do verbo.
- Localize todos os verbos do período, inclusive os de locuções verbais.
- Pergunte a cada verbo quem ou o que realiza a ação, sofre o estado ou recebe a característica.
- Identifique o núcleo do sujeito e observe se ele está no singular ou no plural.
- Confira se há conectivos como “ou”, “nem”, “com” e “não só... mas também”, pois eles podem alterar a análise.
- Verifique se o verbo é impessoal, especialmente “haver” com sentido de existir e “fazer” indicando tempo.
- Releia o período completo para confirmar se a escolha combina com o sentido pretendido.
Considere a frase “Foi enviada ontem as respostas aos pedidos”. O núcleo do sujeito é “respostas”, no plural. A forma mais adequada é “Foram enviadas ontem as respostas aos pedidos”. Já em “Houve respostas aos pedidos”, não há sujeito: “respostas” funciona como objeto direto de “haver”, que permanece no singular.
Erros frequentes e como corrigir
- Inadequado: “Haviam vários documentos pendentes.” Preferível: “Havia vários documentos pendentes.”
- Inadequado: “Fazem três semanas que não há resposta.” Preferível: “Faz três semanas que não há resposta.”
- Inadequado: “A lista de exigências foram atualizadas.” Preferível: “A lista de exigências foi atualizada.”
- Inadequado: “Chegou os comprovantes.” Preferível: “Chegaram os comprovantes.”
- Inadequado: “Você precisas revisar o texto.” Preferível: “Você precisa revisar o texto.”
Uma consulta a materiais de ensino confiáveis ajuda a consolidar essas diferenças. O conteúdo sobre concordância verbal do Brasil Escola apresenta explicações complementares e pode servir como apoio de estudo. Ao consultar exemplos, procure entender a estrutura da oração, não apenas memorizar a resposta.
Perguntas frequentes
O que é concordância verbal?
É a adequação do verbo ao sujeito em número e pessoa. Em “Os estudantes estudam”, o verbo está no plural porque o sujeito “os estudantes” também está no plural. A concordância ajuda a organizar a relação entre os termos da oração.
O verbo pode ficar no singular com sujeito composto?
Em regra, o sujeito composto exige verbo no plural: “A mãe e o pai chegaram”. Há casos especiais, como núcleos pospostos ao verbo ou unidos por “ou” com sentido excludente, nos quais outras possibilidades podem ocorrer. Na dúvida, avalie o sentido e prefira uma formulação clara.
Por que se diz “havia pessoas” e não “haviam pessoas”?
Quando “haver” significa existir, acontecer ou ocorrer, ele é impessoal, ou seja, não tem sujeito. Por essa razão, fica na terceira pessoa do singular: “Havia pessoas”, “Houve reuniões”, “Deve haver soluções”. O termo posterior funciona como objeto direto.
“A maioria dos alunos chegou” ou “chegaram”: qual forma está certa?
As duas formas podem estar corretas. “A maioria dos alunos chegou” destaca a maioria como conjunto; “A maioria dos alunos chegaram” enfatiza os alunos. Em textos formais, escolha uma perspectiva e mantenha a coerência no período.
Conclusão
O estudo da concordância verbal começa pela identificação do sujeito e de seu núcleo. A partir daí, a regra geral se torna objetiva: verbo no singular para núcleo singular e verbo no plural para núcleo plural. Os desafios aparecem nas estruturas especiais, mas podem ser resolvidos com atenção à função de cada termo e ao sentido da frase.
Ao escrever, não se deixe guiar apenas pela palavra mais próxima do verbo. Observe a organização completa da oração, reconheça verbos impessoais e revise períodos longos com calma. Essa prática fortalece a qualidade textual e oferece mais segurança em situações que exigem o uso da norma-padrão.
Referências
- Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
- Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa.
- Cunha, Celso; Cintra, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo.
- Michaelis. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa.
- Brasil Escola. Concordância verbal.
Escrito por
Editor-chefe e redator
Editor-chefe do Higienista, escreve tutoriais e guias de tecnologia com foco em clareza, pesquisa cuidadosa e aplicação prática no dia a dia.